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Olhar Atento 7#: Estará o gigante no caminho certo?

Crónica de 27 de Dezembro de 2011

Existem coisas na vida que impõem um respeito inerente à sua dimensão, logo desde o primeiro contacto. A sua força é de tal forma notória que quem a observa somente a muito custo conseguirá menorizar. Falo do país que nos apresentou a grande maioria dos grandes jogadores mundiais: o Brasil!

Desde sempre, é um viveiro natural de jogadores tecnicamente do mais evoluído que o mundo conheceu, com forte tradição do futebol de rua, selvagem, puro, rebelde. No Brasil até parece que dando um pontapé numa pedra, sairá lá de baixo um jogador de futebol. Foram várias as conquistas mundiais, tendo ganho o estatuto de país com os maiores talentos do mundo. A sua dimensão tem, naturalmente, uma forte influência na quantidade de bons jogadores que ali nascem. Mas se a nível de Selecção o Brasil sempre alcançou o patamar de sucesso à altura do seu potencial, o seu campeonato interno de clubes nunca foi uma referência mundial.

Até aqui, o Brasil, fruto das dificuldades financeiras e económicas do país, via-se forçado a exportar o seu melhor produto: o futebol! Invariavelmente, na mente dos jogadores, está um modelo de progressão de carreira que começa por se afirmar rapidamente no futebol brasileiro para depois partir para a independência financeira no mundo europeu. Os clubes brasileiros pagavam pouco e a más horas e o investimento em infra-estruturas e qualidade de trabalho era escasso por contraposição com o crescimento e evolução táctica constantes do futebol europeu.

Agora imaginem que o futebol brasileiro passa a ser encarado como um indústria. Onde existe, decorrente da condição de economia emergente que é hoje o Brasi, um investimento forte e concreto na valorização dos clubes brasileiros. Onde as infra-estruturas, por via da realização do próximo Mundial de clubes no Brasil, serão amplamente melhoradas. Onde investidores e empresas brasileiras se organizam numa tentativa de valorizar o campeonato, segurando os melhores jogadores do país, cada vez mais retardando a sua saída para o estrangeiro. Imagine-se talentos como Neymar ou Ganso recusarem propostas do Barcelona, Real Madrid ou Milão porque simplesmente já ganham no Brasil o suficiente para viverem muito acima do que algumas vez esperariam e conseguirem alcançar a sua independência financeira sem sair do conforto do seu povo e da sua família. Imagine-se a “ousadia” de começarem a pensar que podem alcançar no seu país o estatuto de melhor jogador do mundo, sem necessitarem de emigrar. Se esta “moda” pega… até a ideia assusta!

Mas terá sido assim tão grande a evolução do futebol brasileiro fruto do investimento financeiro que foi feito em tão pouco tempo? Será o dinheiro a solução para ultrapassar o fosso cavado ao longo de tantos anos entre futebol europeu e sul americano? Sim, o investimento é fundamental. Mas não, não determina a essência do mais importante!

Se o treinador brasileiro continuar a achar que pode jogar com 70 metros de distância entre o seu avançado e o seu central, se entender que o jogo vive de duelos individuais 1x1 no vários espaços do terreno, se privilegiar somente a técnica em detrimento da táctica, se desconhecer por completo o conceito táctico da defesa em linha e do pressing colectivo, por mais dinheiro que seja injectado no futebol, viverá sempre um passo atrás da realidade europeia. Sempre que assisto a um jogo do campeonato brasileiro, adoro ver o rol de fintas e o display de criatividade individual de cada jogador. Mas a sua ingenuidade táctica, a ausência de qualquer sentido colectivo de jogo e de inteligência defensiva acaba por desvirtuar completamente qualquer comparação que se possa fazer com o futebolista europeu.

No Brasil fomenta-se a ideia de que o Mundial 2014 consagrará o jogador brasileiro e o futebol brasileiro, simplesmente porque os melhores jogadores brasileiros estão no país. Temo que, caso o treinador brasileiro não suba vários patamares (e a qualidade do treinador português será o melhor exemplo que poderão seguir), simplesmente estejam a impedir que os seus jogadores mais promissores encontrem outras etapas de crescimento, de maior grau de exigência, que os obriguem a superar-se. Penso que poderão estar a hipotecar as suas reais possibilidades de vencer um Mundial no seu país pois o campeonato brasileiro e o treinador brasileiro não têm, hoje, nem de longe nem de perto, o grau de complexidade e maturidade táctica que apresenta qualquer um dos principais campeonatos de referência na Europa.

Assim, quando os jogadores brasileiros entrarem em campo no primeiro jogo do Mundial estarão a defrontar equipa… como nunca encontraram. E se o recital de futebol que o Barcelona deu contra o Santos recentemente não deixou isto a nú, não sei o que o fará.

Por Bernardo Fernandes

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