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Olhar Atento 4#: Finalmente…temos campeonato!

Num dos embates que maior expectativa criava, nos últimos anos, entre os “velhos rivais” era esperado um jogo entre duas equipas que assumem a ambição de vencer cada confronto que disputam. Se no Benfica este hábito de vitória vinha sendo cultivado e potenciado nos últimos anos, no Sporting a presente época é, desportivamente, uma lufada de ar fresco e um regresso a uma forma de estar e ser que os adeptos julgavam perdida por entre anos de contentamento com “objectivos menores”. O grande desafio para este Sporting era perceber se estaria à altura da sua história e conseguiria assumir-se como equipa suficientemente forte para dar uma “efectiva” luta aos seus rivais, Benfica e Porto.

O jogo de sábado provou que o Sporting recuperou, em pouco tempo, muito do caminho até aqui perdido para os adversários. Mas, naturalmente, é mais fácil mostrar ambição em se alcançar um determinado estatuto, do que efectivamente já o ter. A história deste jogo revelou-nos duas equipas com capacidade de vencer. A lutar bravamente por cada centímetro de relvado e procurando não permitir que o se oponente pudesse sequer respirar com a bola em seu poder, ou sequer pensar que decisão tomar no momento seguinte.

O Sporting apostava no pressing alto como arma preferencial para se impor perante o Benfica, privilegiando ataques rápidos pelo flanco esquerdo após a recuperação da bola, potenciando a velocidade e capacidade de desequilíbrio em 1x1 de Capel. Por seu lado, apesar deter sentido de forma evidente o pressing leonino condicionar a sua organização ofensiva, o Benfica nunca deu a sensação de se deixar enervar. A maturidade adquirida em embates com elevado cariz de intensidade, nesta e noutras épocas, contra adversários mais poderosos, permitiram a esta equipa do Benfica conquistar a serenidade natural dos grandes clubes (bem patente na classe de cada passe, recepção de bola ou controlo de cada lance de Pablo Aimar), optando por outras soluções ofensivas, privilegiando um jogo mais directo e a luta pelas “segundas bolas” no meio-campo do Sporting. 

A estratégia adoptada pelo Benfica em Old Trafford para cobrir Maxi Pereira, nunca o deixando desprotegido perante a capacidade individual de Nani, foi o melhor “treino” que este Benfica podia ter tido para o derby que se aproximava. Amiúde vimos Nani, ainda antes de receber a bola, ser pressionado por Maxi, que não o deixaria embalar em velocidade, e rapidamente cercado por outros dois jogadores encarnados (Gaitan e Javi, com Witsel a bascular para dobrar Javi) na cobertura defensiva ao lateral. A mesma estratégia viria a ser delineada para o jogo com o Sporting.

Arrisco dizer que me pareceu tacticamente tão exigente para o Benfica, nesse aspecto, tanto marcar Nani como Capel, por uma simples razão: o United jogou com dois médios defensivos no corredor central, com pouca capacidade criativa, pelo que qualquer desequilíbrio poderia apenas surgir pelos corredores laterais ou pela aproximação ao meio-campo de um dos avançados centro, tornando as suas opções menos imprevisíveis. Já o Sporting tem um meio-campo mais criativo e com melhor toque de bola, onde estavam Elias e Matias (até se lesionar), pelo que Witsel e Bruno César tiveram uma complexidade maior para equilibrar a relação de forças a meio-campo. Por outro lado, o ataque do Sporting, apenas com Wolkswinkel, terá causado menores dores de cabeça no jogo entre linhas perante os centrais benfiquistas. Em termos de exigência táctica, foram dois jogos que constituíram um forte desafio para o Benfica.

A expulsão de Cardozo terá sido o momento decisivo do jogo. A forma como as duas equipas reagiriam a essa decisão do árbitro definiria o rumo dos acontecimentos. Aparentemente, podia ter sido a chave para “virar“ um jogo equilibrado a favor do Sporting e dar a “machadada” final num Benfica até aí bem organizado e controlador da vantagem adquirida no marcador. Ao invés, realçou a maturidade táctica de um Benfica que apresenta uma mentalidade muito forte perante as adversidade com que se possa deparar num determinado jogo. A escolha de Jesus ter em campo nesse momento Ruben Amorim, que forma com Javi e Witsel três médios de elevada cultura táctica foi uma decisão de um treinador maduro e experiente. Por outro lado, descobriu a falta de estofo e de maturidade táctica de um Sporting que não foi capaz de explorar a mudança de flanco e circulação rápida de bola de forma desposicionar a defensiva contrária, à excepção de um ou outro rasgo individual de Carrilo quase sempre inconsequentes. 

A menor capacidade táctica leonina manifestada neste período ficou bem evidente no recurso exagerado a bolas bombeadas para a área encarnada, com a defesa benfiquista sempre organizada e bem posicionada, em detrimento de uma dinâmica e movimentação que colocasse em causa essa mesma organização. Obviamente houve um ou outro momento em que o Sporting causou algum perigo, mas se pensarmos que Artur (que havia sido um gigante até aí) terá tido maior quota parte de responsabilidade na “criação” desses lances que o próprios jogadores do Sporting, fundamentou a ideia de que, na altura decisiva, o leão não soube tomar o que ambicionou.

A melhoria do Sporting é evidente e salutar! Finalmente algo que permita aos adeptos verde e branco voltarem a sonhar e a se agarrarem firmemente na convicção de mostrarem a sua identidade vencedora. Mas seria injusto exigir a esta equipa que anule em 4 meses o atraso que acumulou ao longo de anos e anos a fio. Que está no bom caminho parece, contudo, inegável. Benfica e Porto serão os principais candidatos ao título desta época, tendo o Benfica ultrapassado com sucesso saídas de casa tradicionalmente muito complicadas (Nacional, Braga e Dragão). Este ano, teremos certamente campeonato até à última. 

Finalmente!

Por Bernardo Fernandes

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